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sexta-feira, 18 de setembro de 2020 Leis | 17:46

Setor imobiliário é um dos impactados com a vigência imediata da Lei Geral de Proteção de Dados

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A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) entrou em vigor nesta sexta-feira (18/9), e um dos setores que será mais impactado pela nova norma é o imobiliário. Mapeamento realizado pela plataforma imobiliária Kzas (www.kzas.ai) com as 12 principais empresas de capital aberto do mercado imobiliário mostra que apenas 16% delas cumprem com a comunicação em suas políticas a respeito da LGPD. Sem exceção, a nova lei marca uma grande mudança na gestão das empresas para o uso e o compartilhamento de dados pessoais e impactará companhias de todos os segmentos e quaisquer portes.

Entre as práticas comuns do mercado imobiliário, seja construtora, imobiliária, incorporadora, escritório de arquitetura, entre outros, está a coleta de dados de clientes utilizada para diversos fins, como envio de ações promocionais, venda de serviços ou produto, produção de conteúdo direcionado a partir da análise comportamental do cliente e até terceirização do armazenamento e tratamento de dados pessoais.

“O fato é que aquela história de preencher cadastro no stand de vendas sem saber a finalidade, call center e corretor ligando para o cliente sem parar, ou aquela loja de móveis planejados que telefona sem ter permissão (porque o corretor passou o mailing dele com todos os contatos pra loja), está com os dias contados”, observa Rodrigo Costa, CTO de Kzas, proptech fundada em janeiro de 2019 e que desde o início de sua operação atende à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e não compartilha qualquer informação sem autorização do cliente, parceiros ou colaboradores.

De uma forma geral, nunca houve uma preocupação das empresas do setor imobiliário com a confidencialidade dos dados fornecidos, o que faz com que, muitas vezes, informações sejam compartilhadas com outras instituições. “Para quem trabalha no mercado imobiliário precisará rever a gestão de suas atividades de forma a atender as determinações da nova regulamentação”, diz Costa, que também acumula a função de DPO (Data Protection Officer), profissional-chave para qualquer companhia e que responderá a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) em caso de não conformidade com a lei. DPO é uma nova profissão que nasceu por conta da GDPR (General Data Protection Regulation) na Europa e Costa se profissionalizou para se tornar um especialista nesta área.

A lei demandará das empresas um consistente programa de compliance digital, com o envolvimento de vários departamentos – como o jurídico, tecnologia, segurança, marketing – e investimentos para garantir o cumprimento das novas regras. Isso significa melhorias de procedimentos internos e externo de dados (gestão de dados, atualização de ferramentas de segurança, mecanismos de controle e auditoria); revisão documental (contratos, normas, políticas, que envolvem todos os seus fornecedores); mudança cultural (treinamentos periódicos e conscientização com corretores, colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros). “Trata-se de muito investimento e um movimento que passa a envolver todas as áreas da empresa e seus fornecedores”, avalia o DPO de Kzas.

“É importante também que o consumidor fique atento a olhar nos principais canais de comunicação da empresa se eles têm uma política de privacidade específica para a LGPD e se eles tratam os dados das pessoas com a privacidade prevista da norma”, aconselha Costa.

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