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sexta-feira, 27 de março de 2020 Empresas | 14:49

Carrefour nega vídeo supostamente de diretor do grupo; empresário é do interior de SP

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Um vídeo supostamente de um diretor do grupo Carrefour/Atacadão é mais um fakenews –se olhar sob a autoria do envio. É o que garante a assessoria de imprensa da rede supermercadista. “Esse homem não é nada dentro da nossa rede”.

No conteúdo de mais de cinco minutos, um homem, supostamente empresário, de dentro do carro, afirma que teria chegado à empresa dele para efetuar demissões. Quem recebe o conteúdo não identifica quem é nem a empresa referida, nem o homem cita. Daí a confusão quando o vídeo é distribuído via WhatsApp, já que não menciona a procedência do mesmo, causando confusão a quem recebe. No entanto, a mensagem que antecede o envio do vídeo diz se tratar de “Diretor da rede atacadão – Carrefour”.

O vídeo distribuído via WhatsApp imputa a ele o cargo de diretor, mas no Instagram o perfil foi achado pela equipe do Carrefour e enviado ao iG. O empresário é do Atacado Diniz, Ricardo Diniz. O conteúdo foi postado nas redes sociais pelo filho dele Renne Diniz nesta quinta, dia 26. À coluna, o marketing do Atacado Diniz confirma a veracidade do vídeo, mas nunca citou –nem sugeriu— se tratar de algo ligado ao Carrefour. Confira a origem do video: https://www.instagram.com/tv/B-NQnJMpuAG/?utm_source=ig_web_copy_link

“Ele realmente em momento algum menciona que é da rede de supermercados Carrefour-Atacadão. Mas a pessoa que deu início à distribuição dessa mensagem pro WhatsApp indicando que seria um discurso aplicado ao Carrefour comete um crime contra a honra de difamação, cuja pena é de até um ano”, explicou o advogado criminalista Franklin Gomes, socio do Franklin Gomes Advogados. O empresário do Diniz Supermercados, portanto, não comete crime algum.

“Aparentemente o criador do vídeo não teve intenção de se passar por diretor do Carrefour, pois ele não menciona isso em seu discurso. Então, a questão pode ser analisada sobre 3 pontos distintos: o do criador do vídeo; o de quem primeiramente disse que ele era diretor do Carrefour (criador da fake news); e o de quem compartilhou a fake News”, disse o advogado criminalista João Francisco Raposo Soares, sócio do Raposo Soares & Salomé Advogados.

Segundo ele, os três citados acima podem responder pela contravenção penal prevista no artigo 41 da Lei das Contravenções Penais, que rege: “Provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto”

“A pessoa que criou a fake news alegando que se tratava de diretor do Carrefour pode eventualmente responder pelo crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 299 do Código Penal, ou de Falsa Identidade, previsto no artigo 307 do código penal, a depender de sua intenção quando do cometimento do ato e, claro, do entendimento da autoridade policial, do Promotor de Justiça e do Juiz do caso. Isso vale para quem compartilha a fake news, sabendo da falsidade”, salientou Raposo.

Sobre sair às ruas
No entanto, a partir do 3º minuto do vídeo, o empresário, “incita para que todos saiam de casa”. É o que explica o advogado Franklin Gomes. “Obvio que ele está colocando uma questão político partidária e até ideológica, mas a gente tem na legislação brasileira um crime que é o de incitação ao crime contra a paz publica – esta no artigo 286 do Código Penal e pode chegar a seis meses de detenção”, disse o criminalista.

Segundo ele, isso aconteceria se for considerado que o empresário estaria incitando as pessoas a “violarem uma determinação do poder publico em decreto federal e estadual, do ministério da saude, por exemplo”. “As infrações a essas determinações, em especial, o isolamento, pode representar a prática de crime. Pensando de uma forma bem genérica podemos sugerir que ele está incitando a prática do crime de infração de medida sanitária preventiva.”, comentou Gomes

“A quarentena por enquanto não está determinada, é uma recomendação. Quem sai à rua não comete crime algum, é importante frisar. Mas o empresário não fala especificamente quais pessoas devem sair, se quem está em isolamento, enfim. De uma forma genérica ele diz que as pessoas não obedeçam o que orienta o poder público. Ele pode ser eventualmente processado por isso futuramente”, completou o criminalista. O empresário, no entanto, abre o vídeo dizendo sobre os cuidados com o corona vírus e a gravidade da pandemia, de certa forma.

Dos envolvidos
A coluna procurou o Atacado Diniz, que fica em Jarinu, a menos de 100 km da capital paulista. A responsável pelo marketing da empresa retornou informando realmente se tratar do proprietário da rede e desconhece quem distribui imputando a ele um cargo na rede Carrefour.

O filho do empresário também nos procurou e disse que o vídeo ultrapassa as 100 mil visualizações, confirmou demissões –sem citar números—e disse que na região há “um buzinaço de empresários que estão sendo prejudicados com fechamento dos comércios”.

O vídeo suscita o debate da origem tambem porque ainda nesta quina a rede Carrefour informou que , em meio à pandemia de covid-19, vai abrir 5 mil vagas de emprego em todo o país. De acordo com a varejista, o período de isolamento fez com que a demanda aumentasse em todas as lojas.

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