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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019 Advocacia | 10:35

Revolução digital gera novas demandas jurídicas em setores tradicionais da economia

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Diante dos desafios trazidos pela inteligência artificial, blockchains, big data, algoritmos e afins, setores tradicionais da economia estão sendo empurrados para o centro do olho do furacão tecnológico. Para estruturar esses novos modelos de negócios, só conhecer as leis não basta. Os grandes escritórios de advocacia estão de olho nas experiências de outros países e também usando a criatividade para assessorar antigos e novos clientes.

“Há alguns anos começamos trabalhando com as fintechs. Hoje já temos o ambiente mais atrativo da América Latina. De uns dois anos para cá, as insurtechs movimentaram o setor de seguros. E vemos que essas mudanças trazidas pela tecnologia são cada vez mais abrangentes. Os empreendedores estão mapeando ineficiências e procurando soluções”, conta o advogado do escritório Pinheiro Neto, Roberto Panucci.

“O mundo acelerou. Antes, abria-se prazo de cinco anos para um setor se adaptar a mudanças. Hoje isso já não acontece mais. No máximo, um ano. Todos estão atentos e não querem ficar para trás. É preciso estar atualizado para lidar com esse novo cenário”, complementa Panucci.

O sócio fundador do Santos Bevilaqua, João Marcelo, também sublinha o desempenho das fintechs e prevê que outros nichos atinjam esse patamar. De acordo com levantamento do Radar Fintechlab, atualmente atuam mais de 400 startups financeiras no país, com o destaque para o Nubank, que se tornou em 2018 o primeiro unicórnio do setor – ao atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão.
Panucci e João Marcelo participaram em dezembro do ano passado de um debate sobre a regulação do setor de seguros promovido pelas startups StarteSe – que fomenta a cultura e a economia tecnológica e reúne 120 mil empreendedores, investidores e mentores em sua comunidade – e pela ThinkSeg, plataforma de seguros sob comando do executivo André Gregori (ex BTG e Fator). Eles consideram que o posicionamento proativo dos órgãos reguladores é essencial para a competividade brasileira.

“O Banco Central fez um esforço fenomenal para não só punir, mas incentivar a competição e, consequentemente, melhorar os serviços para o consumidor. O produto seguro não é tão atrativo quanto o de crédito, mas a Susep (Superintendência de Seguros Privados) também está olhando para o mercado e dialogando com o setor, o que é muito positivo”, avalia Panucci.

Adequação
O advogado do Pinheiro Neto diz que a banca faz questão de participar das discussões tanto com a iniciativa pública quanto com a privada na formatação dessa nova economia. Além de participar de eventos do setor, os profissionais buscam formação no Vale do Silício, maior parque tecnológico dos Estados Unidos. Para tocar os projetos, são montadas equipes multidisciplinares.
O sócio do Santos Bevilaqua aponta como maior desafio da área jurídica a velocidade com que todas essas transformações estão promovendo no mundo dos negócios. “Além de conhecer a lei, é preciso ser criativo, pensar para estruturar soluções nesta nova realidade. Pesquisar inovação é um esforço constante”, diz João Marcelo.

O próprio setor jurídico já passa por inovações tecnológicas pelas lawtechs ou legaltechs. Advogados e servidores da Justiça já se deparam com tecnologias que otimizam procedimentos e aprimoram a análise de cenários. Na opinião de Panucci, a área deve ser uma das próximas a sofrer impactos significativos neste ano, redefinindo o papel desses profissionais.

Outro setor que deve ser sacudido em 2019 é o de saúde. Para o advogado do Pinheiro Neto, as healthtech vão ganhar cada vez mais relevância e devem ganhar protagonismo. “Inteligência Artificial e Big Data são capazes de gerar algoritmos excepcionais, capazes de realizar bilhões de análises e identificar doenças antes mesmo que elas se manifestem. Isso causará um impacto gigantesco nas pessoas, na indústria e nas políticas públicas de saúde”, considera o Head de Inovação da StartSe, Cristiano Kruel.

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